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quinta-feira, 5 de março de 2009

Centenário de Patativa

Antonio Gonçalves da Silva, nascido na Serra de Santana, Assaré/CE, em 05/03/1909, mais nordestino impossível. É PATATIVA DO ASSARÉ. Cego de um olho aos 4 anos; aos 8, com a morte do pai, passou a ajudar a família na agricultura de subsistência, mas já criava seus próprios versos que decorava para não perdê-los; aos 12, é alfabetizado na escola, por alguns meses; aos 16, sua mãe vende uma ovelha e lhe compra uma viola e passa a criar repentes; Por volta dos vinte anos recebe o pseudônimo de "Patativa", por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave; declamou poemas na Rádio Araripe do Crato e, com ajuda de José Arraes de Alencar, em 1956, publicou seu 1° livro "Inspiração Nordestina". Um dos mais conhecidos é o livro "Cante lá que eu canto cá", de 1978. Ganhou 5 vezes o título de Doutor Honoris Causa, inclusive da UFC e UECE. Gravou em discos seus poemas em 2 LPs e 2 CDs.
Seus poemas foram musicados e gravados por artistas de projeção. Seguem alguns exemplos:
- "Triste Partida" (1964) por Luiz Gonzaga;
- "Vida Sertaneja", por Fágner (1979) e Daúde (1995);
- "Vaca Estrela, Boi Fubá", por Fágner (1980), Rolando Boldrin (1981), Luiz Gonzaga & Fágner (1984), Pena Branca & Xavantinho (1987), Cláudio Nucci (1995), Sérgio Reis (1997) etc.
- "Sina" (1997) por Simone Guimarães
- "Festa da Natureza" (2002) por Gereba

Em 2007, o cineasta Rosemberg Cariry lançou o documentário "Patativa do Assaré - Ave Poesia", (cartaz na foto central) que dando ènfase à relevância dos seus poemas e ao significado político dos seus atos, mostra a imagem pública do poeta, mas também aspectos privados do seu trabalho na roça e do cotidiano com a família e os amigos.
O poeta e repentista dusbons Patativa fez sua passagem no dia 08/07/2002, aos 93 anos, em sua cidade natal. Um homem simples que conseguiu registrar sua estadia na Terra, com sua Arte. Se estivesse neste plano, estaria completando hoje 100 anos de existência.

DETALHE: Cearense de Farias Brito, Rosemberg Cariry também escreveu, produziu e dirigiu o longa "Corisco & Dadá" (1996), interpretado por Chico Diaz (o mexicano mais nordestino possível) e a paraense Dira Paes. O filme teve trilha sonora de Toinho Alves e Quinteto Violado, com fotografia de Ronaldo Nunes.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A maledicência pode matar

"O fenômeno Simonal mostrou a cultura secreta brasileira. Realizou o futuro no presente, com o povo participando realmente da música e demonstrando que acabou o tempo das 2 mil pessoas em silêncio ouvindo o prodígio sentado ao piano ou cantando. Olha, fiquei todo arrepiado e com vontade de chorar com aquele negócio. E o que é melhor é que o Simonal sabe o que está fazendo, não tem medo e provou que é realmente doutor em música" - disse Tom Jobim, à revista Veja, em 10/1969, se referindo ao coral de 30 mil vozes que Simonal conduziu no Maracanãzinho, quando fazia abertura do show de Sérgio Mendes.

Numa madrugada do dia 24/02/1938, nascia no Rio de Janeiro, o cantor dusbons WILSON SIMONAL de Castro (ao lado, com Elis Regina, a maior). O "rei do swing", o "1° soulman brasileiro", dono de uma voz privilegiada e senso de interpretação, seu 1° sucesso nacional foi "Nanã", em 1964, com arranjos de Eumir Deodato, aos 21 anos, à época. Depois vieram, "Mamãe passou açúcar em mim" (1966), com arranjos de Erlon Chaves; "Sá Marina" e "Vesti Azul" (1968) e "País Tropical"(1969), estas arranjadas por César Camargo Mariano. Nesta música, foi de Simonal a idéia de cantar "Mó...num pá...tro...pi...", que depois foi incorporada pelo autor Jorge Ben.
Ouvimos na sua voz "Mamãe eu quero", "Meu limão, meu limoeiro", "Zazueira", "Tributo a Martin Luther King", enfim, foram dezenas de sucessos. Inicialmente, apoiado por Carlos Imperial, Ronaldo Boscoli e Luis Carlos Miele, Simonal apresentou programas de auditório na TV, participou de filmes, festivais e cantou junto a Sarah Vaughan, quando esta veio a São Paulo, em 1969 (Tenho o dvd desta apresentação - cortesia do dusbons Zé Dias/RN).
No auge da fama, aos 33 anos, quando deixou a gravadora Odeon pela Philips, no 2° semestre de 1971, Simonal teve seu nome injustamente apontado como dedo-duro de artistas durante o regime militar. Iniciou aqui seu processo de exclusão artística. O semanário O Pasquim ajudou a criar a má fama de Simonal. Até a prisão de Caetano Veloso e Gilberto Gil foi mafiosamente atribuída ao cantor. Este boato, em cima de inverdades, fez que Simonal ficasse exilado do meio artístico, sem precisar ter saído do Brasil. Mesmo tardiamente, em Dezembro de 2003, a Comissão de Direitos Humanos da OAB declarou oficialmente que o cantor era inocente das acusações de delação (e que fora vítima de preconceito racial e discriminação artística). Só que Simonal partiu da Terra, no dia 25/06/2000, aos 62 anos, vítima de uma hepatite crônica que progrediu para cirrose, após 29 anos de ostracismo. Amanhã, estaria fazendo 71 anos de idade.
Simonal deixou como filhos SIMONINHA e MAX DE CASTRO, compositores, cantores e arranjadores que perpetuam o swing do samba-rock, com qualidade musical.

Daqui, tiro uma lição dasboas: Cuidado com o que falamos e escrevemos, sobretudo se for espalhando maledicência, maldade, malícia contra outrem. Nunca teremos a inteira certeza de que estamos falando a completa verdade. E uma injustiça poderá nunca ser reparada. É só lembrar da metáfora que diz que falar mal de alguém é igual a rasgar um travesseiro de penas ao ar. Depois, será impossivel recuperar todas as penas. Assim é também com as inverdades que espalhamos.

DETALHE: Em 1972, Simonal gravou a ótima música "Noves Fora", dos cearenses Belchior e Fágner. Em 1979, seria a vez de Elis Regina gravar o mesmo samba.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Aniversariantes de hoje

Hoje, Sexta-feira, dia 12 de Dezembro, aniversariam o famoso cineasta pernambucano GUEL ARRAES e o engenheiro civil cearense RICARDO MIRANDA.

1. Guel (foto à esquerda) é recifense, filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar (1916-2005) e de Célia Souza Leão (1924-1961). Durante a época da repressão militar, aos 11 anos de idade, viveu exilado na Argélia, com a família. Voltou ao Brasil em 1979, aos 26 anos. Iniciou sua ascensão profissional dirigindo novelas na Rede Globo, de "Baila Comigo" (1981) a "Vereda Tropical" (1984). Depois, passou a dirigir séries televisivas, com inovadoras linguagens: "Armação Ilimitada", "TV Pirata", "Comédia da Vida Privada" e "O Auto da Compadecida" (1999), de Ariano Suassuna. Esta obteve tanta audiência na tevê, que foi exibida depois, em uma edição especial, nos cinemas, com sucesso de público também. Lançou em Novembro/2008, o filme "Romance", estrelado por Wágner Moura. Guel é um dusbons na direção da dramaturgia brasileira.

2. Ricardo, duplamente fortalezense, além de sócio e executivo de uma construtora em Fortaleza, nas horas vagas é tesoureiro-voluntário do Lar Beneficente Clara de Assis, o qual assiste mais de 400 pessoas carentes, na comunidade Guaié, em Iparana-CE. Acima, na foto acima, vemos Ricardo, ao centro, em Fevereiro/2008, explicando ao tenista Gustavo Kuertner, o GUGA e ao cantor Raimundo FÁGNER, o funcionamento do "Projeto Craque Nota 10", que está sendo desenvolvido junto às crianças do Lar de Clara, onde foi inaugurada uma quadra poliesportiva, inclusive com tênis, esporte em que Ricardo já foi campeão. Além disto, Ricardo é um verdadeiro dínamo, entusiasta de projetos como o "Nosso Leite" (de cabra), que ajuda a melhorar a nutrição das crianças vinculadas ao Lar; do Coral Infantil ClaraMúsica; das aulas de Xadrez prás crianças e está feliz por estar ampliando o número de salas de aulas - tudo isto com o incondicional apoio de empresas-parceiras e de toda diretoria do Lar.
Conheço de perto este mui querido aniversariante. É exemplar nos múltiplos papéis que exerce: filho, irmão, amigo, marido, genro, pai, tio, cunhado, concunhado, empresário, voluntário do Bem, sindicalista e também como avô. Sinto-me honrado em poder conviver e aprender muito com ele, inclusive, em piadas contadas de forma impagável. Indubitavelmente, é um dusbons.

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P.S.: Hoje também aniversaria minha colega de trabalho Silvinha Fernanda. inteligência e bom humor em pessoa.
A todos, desejo toda felicidade que for possível comportar a existência terrestre. Parabéns aos três! Que a Fonte da Vida continue a iluminar todos, neste Novo Ano, que hoje se inicia! Namastê!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Fausto Nilo palestrando












Nesta próxima Sexta-feira, dia 28/11, às 16h, na sala de treinamento da Justiça Federal, no 15° andar do Edifício Raul Barbosa, Centro de Fortaleza, haverá uma palestra aberta ao público do arquiteto e poeta dusbons FAUSTO NILO. O tema será "Fausto Nilo e a Poética da Cidade", sob o olhar experiente do prestigiado arquiteto cearense, nascido em Quixeramobim, em 05/04/1944. Veio para Fortaleza com 11 anos de idade e ingressou na UFC, aos 20 anos, na Faculdade de Arquitetura, onde fez amizade com o "Pessoal do Ceará" - Rodger Rogério, Teti, Petrúcio Maia, Ricardo Bezerra e Fágner, que foi o primeiro a musicar um de seus poemas.
Em 1971, mudou-se para Brasília e trabalhou como professor da UnB (posteriormente lecionou na UFC). Em 1972, teve sua 1ª música "Fim de Mundo (com Fágner) gravada por Marília Medalha. Morou ainda em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Além de Fágner, suas letras viraram sucessos nas vozes de Moraes Moreira, Gal Costa, Simone, Amelinha, Ney Matogrosso, Luiz Gonzaga, A Cor do Som, Lulu Santos, Pepeu Gomes, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Dominguinhos, Nara Leão, Maria Bethânia, Maria Creusa, Ednardo, Cidade Negra, Nana Caymmi, Baby Consuelo, Zé Ramalho, João Bosco, João Donato, Belchior, Ritchie, Nico Resende, Nando Cordel, Caetano Veloso, Guilherme Arantes etc. É considerado até hoje, ao lado de Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Noel Rosa, um dos compositores com maior número de composições, cerca de 400 sucessos.
Em 1997, com o CD "Esquinas do Deserto", lança-se como intéprete de suas próprias composições. Depois, lançou, em 2002, "Casa Tudo Azul" ; em 2004, "Verso e Voz Ao Vivo". Seu mais recente disco se chama "Fausto Nilo" (capa acima, à esquerda), com direção musical e arranjos de Adelson Viana e Cristiano Pinho. Neste CD, há parcerias com Moraes Moreira, Dominguinhos, Ivan Lins, Zé Renato, Zeca Baleiro, Beto Fae e Fernando Falcão.
Paralelamente ao trabalho de compositor, mantém sua atividade como arquiteto até os dias de hoje, com especial interesse por assuntos referentes a cidades, planos diretores de urbanismo, espaços de uso público, praças, escolas e equipamentos culturais, onde se destaca seu principal projeto: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. Recomendo ouvir Fausto, porque ele fala de maneira profunda sobre nossa cidade. Já aprendi muito com ele, durante uma viagem ida-e-volta Fortaleza-Limoeiro do Norte, onde conversamos sobre música, cinema francês, livros clássicos e até espiritualidade. Ou seja, tudo o que este blog preconiza e divulga.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Adelson Viana - Parte II

Há 4 anos, foi com uma trupe de cearenses, à França, participar do “Festival Brest 2004, onde se apresentou no Espaço Brasil, levando a música brasileira a um grande público presente. Em 2006, ADELSON VIANA executou, ao acordeon, o “Hino Nacional Brasileiro”, acompanhando Fágner, no "Brazilian Day in New York", emocionando os brasileiros residentes nos EUA. Confira clicando AQUI.

Após haver lançado os discos de forró cantado “FORRÓ DA ROÇA” e “FORRÓ DA ROÇA AO VIVO”, junto com o cantor e seu primo Paulo Viana, AV lançou, em 2005, o disco-solo instrumental “ACORDEOM BRASILEIRO” (foto ao lado) e o disco “ADELSON VIANA – O AUTÊNTICO FORRÓ”, onde canta uma super-seleção do legítimo forró. Na minha opinião, a música que é campeã em ser dasboas é o baião “Querer” (música de AV e letra de Paulo Viana), que tem ritmo, harmonia e letra de excelente nível. Tão bela para se dançar e ouvir que Dominguinhos já gravou no Vila Estúdio e sairá em disco, breve.

Está saindo do forno os seguintes trabalhos: 1) o novo disco de AV, com o respeitado violonista de Lavras da Mangabeira – Nonato Luís, outro dusbons; 2) o disco com o violonista Tarcísio Sardinha e o saxofonista Márcio Resende, com quem AV está gravando o Projeto TAM (Tarcísio, Adelson e Márcio); e 3) o DVD instrumental, gravado durante o "Encontro das Sanfonas", neste ano,, no Centro Cultural Dragão do Mar. com participação do acordeonista paulista Toninho Ferrraguti.

Enquanto isto, a maestria de AV pode ser conferida nos DVDs “Me Leve - Ao Vivo” de Fagner, “Raimundo Fagner e Zeca Baleiro – Ao Vivo” e “Fagner Ao Vivo” – este lançado em 2008. Ou então, onde menos esperarmos, poderemos nos deparar com AV fazendo um enorme Bem, anonimamente, por aí, em ambientes necessitados de uma música que alegre e eleve a alma, com seu acordeom e sua presença fraterna.

Nos shows de AV, podemos nos deleitar ouvindo o melhor da música brasileira (choro, baião, xote e frevo), executada com a sensibilidade próprias dos mestres. Mas somente corações fortes podem pedir a ele que execute o tango instrumental “Adios Nonino” do argentino Astor Piazzola, porque é pura emoção e dasboas.

Obrigado Deus por haver concedido o talento às mãos certas como as de Adelson!
Escute músicas e saiba mais sobre Adelson Viana, visitando-o no myspace .